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domingo, 24 de julho de 2011

Ser livre





















Ser livre é andar
Pelo simples prazer de andar
É correr e correr
Mas só pra sentir o vento
Que toca o rosto
Que inalado, contagia o corpo

Ser como a folhagem
Que o vento balança
E livre, revela o frescor
É ser tocado
Pela singeleza de uma manhã


Não é preciso
Sair do mundo para libertar-se
A liberdade está dentro do ser
A paz flui
E, de dentro pra fora
Emana e contagia tudo ao redor

No âmago, a calma
Equilíbrio do ser
Em um ponto perfeito
Um retorno à origem
À matriz que é pura perfeição

continua...

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Andante II...






A Esperança
Bem viva, ressalta
Por tormenta,
Eu ensejo a bonança
Ela chega
Dessa minha andança
Que provei
Só por ter confiança
Na alegria
De quem espera e alcança

Esse dia
Já está na lembrança
E a agonia
Já virou temperança
Que sereno!
Que eterna essa dança!
Já não paro
Sou todo confiança!

Hoje eu sei
Que minh'alma descansa
E o pavor dissipou-se
Só porque
O que vem, chega e passa
É o que
Não serve como marcha
Mas pra mim deixa sempre a marca

E o que importa
É o que, chegando fica
Seu valor me faz forte, traz vida
E com isso, me dá força na lida
Continuo, pois a sina se finda
Mas a busca, essa sim é infinita

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Buraco em minha alma



O que faço
Quando chego
A esse passo sem acaso
Vem qual surto, contagia
Pulso vivo, impregnado


Esse ser febril
Agitado e inflamado
Ruborizado como o ocaso
Que na sua aparente calma
Oculta incandescente astro

Vejo rostos quando passo
Esses vultos que passeiam
Distraídos pés e braços
Embebidos em seus laços

Não me vêem um entardecer
Com fulgor tão causticado
Aparência que lhes mostra
Qual frescor, resignado

Que equilíbrio se almeja
Cada ser compenetrado
Em sua busca incessante
Pelo estável desbotado?

Vejo rostos
Busco gostos
Descobrir-lhes alma nua
Quando na verdade busco
Atrelar minha'lma à sua


Lapso cortante
Efemeridade, fugaz
Essa dor tão lancinante
A carne aberta me trai
A fissura em minha alma
Por fissura ablação me traz


A lacuna em um ser
Por completo, mutilado
Não o é mais em essência
A matriz ora engendrado
Peça solta, consequência
De um mal anunciado
O desgaste que se via
Desdobrado num agravo


Passageiro mal, vislumbro
Penedo a aportar
Aerólito anônimo
Busca a terra rasgar
Identidade sufocante
É origem, é Norte, é Ar!

Buraco na minha alma!
Prisão eterna, sem fim
Por que causa, tanto insistes
Em querer fugir de mim
Se sou obra
Se sou coisa
Sou começo, meio e fim

Josué Santos